Viajar para as Maldivas em tempo de Covid

Artigo publicado a 24 de maio de 2021.
Antes de viajar é importante verificar os requisitos atualizados.

Estás com saudades de entrar num avião? Sabias que as Maldivas abriram as fronteiras em Julho de 2020? Provavelmente viste boas oportunidades para viajar para as Maldivas mas tens dúvidas por causa das restrições do Covid. Então este artigo é para ti!

Temos notado que existem cada vez mais oportunidades de viagem para fomentar o turismo, quer seja de voos, quer de alojamento. Por um lado, estamos desejosos de aproveitar as oportunidades, mas viajar em tempo de Covid tem os seus desafios.

Em 2020 tivemos várias viagens canceladas/adiadas, mas continuámos a pesquisar, especialmente atentos a boas oportunidades. Encontrámos boas promoções para as Maldivas e, apesar de não ser um dos destinos no topo da nossa lista, decidimos planear uma viagem para o nosso aniversário de casamento. Mas, quais são os requisitos de entrada? O que podemos e não podemos fazer? Vamos partilhar tudo convosco e tentar manter o artigo o mais atualizado possível!

Pôr do sol por trás de uma cabana na ilha de Helengeli, nas Maldivas

O que é preciso saber antes de viajar para as Maldivas em tempo de Covid

Fizemos uma pesquisa exaustiva de todos os requisitos para viajar para as Maldivas em tempo de Covid e fomos verificando regularmente se existia alguma alteração aos mesmos.

Os sites oficiais de turismo das Maldivas estão muito bem estruturados e vão sendo sempre atualizados. Foi nestes sites que nos baseámos para programar a nossa viagem, nomeadamente no separador relacionado com Covid: Visit Maldives e Ministry of Tourism.

Foi disponibilizada uma brochura direcionada aos turistas que tem toda a informação necessária para viajar para as Maldivas durante a pandemia do Covid-19. Podem encontrá-la aqui.

Requisitos para entrar nas Maldivas durante o Covid

Todos os turistas recebem gratuitamente um visto de 30 dias à chegada às Maldivas. O passaporte deve ter, pelo menos, um mês de validade. Não é exigida quarentena para os turistas.

Antes de viajar para as Maldivas durante o Covid é necessário:

  • Teste PCR negativo realizado até 96 horas antes da partida prevista do voo de origem. Mesmo quem já foi vacinado precisa apresentar PCR negativo. O documento do teste deve conter:
    • Nome de acordo com passaporte
    • Nome e morada do laboratório
    • Tipo de teste descriminado como PCR
    • Data e hora da amostra
    • Resultado
  • O resultado do teste PCR pode ser apresentado impresso ou em formato digital
  • Em caso de escala durante a viagem, o teste PCR original é válido caso a escala não exceda as 24 horas. Caso contrário, é necessário novo teste.
  • Comprovativo de reserva de estadia nas Maldivas
  • Submeter o formulário Health Declaration Form referente à entrada nas Maldivas no site do IMUGA nas 24 horas anteriores à partida

O que saber ao escolher um alojamento?

O governo das Maldivas divulga regularmente uma lista com todos os alojamentos aprovados para turistas. Esta lista pode ser consultada nos sites que mencionámos acima e divide os alojamentos por tipo, atol e ilha. Portanto, antes de fazer uma reserva num hotel, é importante verificar se ele se encontra nessa lista.

Tabela que lista os hotéis aprovados para turistas nas Maldivas
Tabela que lista os hotéis aprovados para turistas nas Maldivas

Outra coisa que sugerimos antes de marcarem qualquer estadia, especialmente em tempo de Covid, é lerem os comentários de outros viajantes sobre o hotel que estão a considerar. Podem ler opiniões em sites como o Booking.com ou Tripadvisor. É importante estarem especialmente atentos a comentários relacionados com limpeza e respeito pelas regras contra o Covid-19.

Se gostas de praia visita o nosso artigo: As melhores praias da ilha de Krk

É possível visitar várias ilhas/hotéis?

Sim, é permitido o trânsito entre hotéis numa única viagem às Maldivas em tempo de Covid desde que estejam na lista de alojamentos aprovados. Esta possibilidade de visitar mais que uma ilha na mesma viagem e ficar hospedado em mais que um hotel é designada de Split Stays pelo governo maldivano. Se optarem por isso devem ter em atenção os seguintes aspetos:

  • Devem escolher apenas hotéis aprovadas pelo governo
  • É necessário solicitar a aprovação ao Ministério do Turismo (processo despoletado pelo hotel de origem)
  • Só são permitidos Split Stays entre hotéis sem casos reportados de Covid-19
  • No site do Ministério do Turismo, a lista “Facilities with Ongoing Contact Tracing Status” inclui todos os hotéis que se encontram em monitorização. O trânsito para estes hotéis está limitado para fins de rastreamento, sendo, no entanto, permitidas deslocações diretas de e para o aeroporto.
Tabela que lista os hotéis em monitorização nas Maldivas
Tabela disponível no site do Ministério do Turismo com os hotéis que se encontram em monitorização nas Maldivas

Um dos locais com maior risco de contágio é a capital, Malé. Para reduzir esse risco, turistas que tenham estado mais de 48 horas na área de Grande Malé (Malé, Villimalé e Hulhumalé) terão que realizar um teste PCR (além do teste de entrada nas Maldivas) e só poderão visitar outras ilhas caso o mesmo tenha resultado negativo.

É obrigatório fazer seguro para viajar para as Maldivas durante o Covid?

As Maldivas não exigem seguro de viagem para entrar no país. No entanto, é importante ter em conta as incertezas relacionadas com a pandemia e lembrar que, caso seja necessário ficar em isolamento ou quarentena, os custos de hospedagem e cuidados médicos são a nosso cargo.

Assim sendo, o Ministério do Turismo das Maldivas lançou em conjunto com a Allied Insurance Company um seguro de viagem Covid-19 direcionado para turistas que pretendem viajar para as Maldivas. Podem saber mais aqui.

No nosso caso, optámos por contratar o seguro Travel Protect Platinum COVID com a Mapfre. Pesquisámos vários seguros e, apesar de não ter todas as coberturas que gostaríamos, pareceu-nos o mais completo.

Cuidados a ter durante uma viagem em tempos de Covid

Nós viajámos com a Emirates de Lisboa para Malé com uma escala no Dubai. De uma forma geral, sentimo-nos seguros quer nos aeroportos, quer no avião.

Os cuidados que aconselhamos em viagem não são mais do que já estamos habituados. Usar sempre máscara no aeroporto e no avião, desinfetar as mãos regularmente (especialmente depois do check-in e de passar na segurança devido ao contacto com superfícies) e tentar manter o distanciamento físico, o que não é muito fácil quando há filas.

Os aeroportos têm vários pontos que desinfeção, mas levámos o nosso próprio álcool gel. Além disso, a Emirates providencia a bordo um pequeno kit com máscara, luvas, álcool gel e toalhitas para limpeza de superfícies. Relativamente às máscaras, a Emirates permite qualquer tipo de máscara a bordo.

Kit de higiene em viagem providenciado pela Emirates com máscara, luvas, alcool gel e toalhitas de limpeza
Kit providenciado pela Emirates

Onde nos sentimos menos seguros foi na passagem pela Imigração. Devido à necessidade de se apresentar o resultado do teste PCR, formam-se grandes filas onde, nem sempre, é mantida a distância recomendada. Além disso, na passagem pela segurança não nos pareceu haver desinfeção dos tabuleiros após cada utilização. Neste caso, sugerimos desinfetar as mãos logo de seguida.

Requisitos de saída das Maldivas

Antes de sair das Maldivas é necessário confirmar quais os requisitos exigidos pelo país de destino. Além disso, da parte do governo maldivano é necessário:

  • Submeter o formulário Health Declaration Form no site do IMUGA referente à saída das Maldivas nas 24 horas anteriores à partida
  • Realização de teste PCR nas 72 horas anteriores à partida prevista das Maldivas caso em algum momento tenham estado alojados numa guesthouse
  • Não existem outras restrições a não ser que tenham estado em isolamento ou quarentena durante a estadia
Praia de Maafushi, ilha local das Maldivas, ao pôr do sol com a lua já no céu
Entardecer na ilha local de Maafushi

A nossa viagem de sonho

Antes da pandemia, nós marcávamos sempre as viagens com bastante antecedência e optávamos sempre pelo melhor preço, mesmo que fosse tarifa Não Reembolsável. No entanto, ao planearmos a nossa viagem às Maldivas fizemos as coisas de forma diferente por estarmos a viajar durante a pandemia.

Pesquisámos muito sobre os requisitos de entrada e segurança nas Maldivas. Explorámos os sites oficiais de turismo e fomos acompanhando as notícias e as várias comunicações do governo maldivano. Informámo-nos sobre a possibilidade de visitar várias ilhas (foi quando descobrimos os Split Stays) e o que era necessário fazer.

O nosso plano

O nosso plano era visitar três ilhas das Maldivas para ter uma experiência mais completa, começando por Maafushi. Ao contrário do habitual nas Maldivas, Maafushi é uma ilha local onde existem vários alojamentos com preços mais baixos que os resorts. Tínhamos lido que era uma boa base para fazer excursões de snorkeling, algo que pretendíamos fazer.

Tartaruga e outros peixes menores a nadar no fundo do mar junto aos corais nas Maldivas
Uma das tartarugas que vimos durante o snorkeling em Maafushi

Ao escolhermos cada um dos hotéis, íamos verificar se estavam na lista de aprovados para turistas, optámos sempre pela tarifa com Cancelamento Gratuito e contactávamos os hotéis para termos a certeza que estava tudo OK com a reserva e para confirmar o procedimento de Split Stays. Tivemos sempre boa comunicação com todos os hotéis e respostas positivas relativamente ao nosso plano de nos movimentarmos entre ilhas/hotéis.

Vejam também o nosso artigo O que fazer e onde ficar em Maafushi

O que realmente aconteceu

Finalmente estávamos de férias e tínhamos chegado às Maldivas. Assim que chegámos ao aeroporto, fomos procurar o transfer para o nosso hotel. O speedboat saiu para Maafushi uma hora depois, assim que chegaram outros passageiros.

Ao chegarmos ao hotel em Maafushi, apresentamos toda a documentação necessária para fazer o check-in e, apesar de já temos trocado várias mensagens com o hotel, voltámos a alertar que dentro de 3 dias iríamos para outra ilha, pelo que seria necessário fazer o procedimento de Split Stays. O senhor disse que não havia nenhum problema e que o processo podia ser despoletado na véspera. Disse também que seria apenas necessário sermos vistos pelo médico para dar seguimento à documentação de mudança de ilha.

Logo de seguida, fizemos o pagamento do transporte e de uma excursão de snorkeling que o senhor nos tinha sugerido.


E aqui começou o nosso pesadelo


Imediatamente após termos realizado o pagamento, fomos informados que a ilha de Maafushi se encontrava em monitorização. Até aquele momento, desconhecíamos este termo – “monitorização” – assim como a lista do Ministério do Turismo que mencionámos acima. Fizemos várias perguntas para tentar perceber o alcance da situação e disseram-nos que devido à ilha de Maafushi estar em monitorização não nos seria permitido fazer o Split Stay (que tínhamos acabado de confirmar).

É verdade que, no limite, era nossa responsabilidade estar a par dos locais em monitorização, mas também é verdade que nos sentimos enganados. Depois de tantas vezes termos referido (quer por mensagens quer durante o check-in) que iríamos mudar de ilha, sentimos que fomos alvo de má índole por parte do hotel que pareceu esconder a situação até termos efetuado o pagamento.

Fizemos de tudo para perceber as nossas opções, mas os hotéis com quem tínhamos as reservas nos dias seguintes recusaram-se a receber-nos por virmos de um local em monitorização.


A nossa viagem de sonho tornou-se um pesadelo!


Ainda ponderámos ficar mais tempo em Maafushi, mas não era o local que tínhamos idealizado para as nossas férias, não estávamos satisfeitos com a postura e o tratamento do hotel e a sensação de segurança era muito reduzida. Apesar de ser obrigatório, várias pessoas andavam sem máscara e não havia distanciamento físico no elevador, no restaurante nem na praia.

Posto isto, a nossa única opção foi fazer o check-out na data prevista e regressar ao aeroporto na incerteza do que iria acontecer. No aeroporto existem representantes de vários hotéis, por isso, a nossa ideia era tentar encontrar algum hotel disposto a receber-nos.


A alternativa era voltar para casa depois de “um fim de semana” nas Maldivas.


Antes de sairmos de Maafushi fomos fazer um teste PCR para ter a certeza que estávamos bem e para usar como referência para uma eventual nova estadia.

No aeroporto, falámos com o representante do Ministério do Turismo, com outro hotel que tínhamos contactado por email e com o representante de uma agência de viagens local que, após alguns telefonemas, conseguiu encontrar uma solução que se encaixava no nosso orçamento.

Piscina privada em villa em cima da água em Helengeli, nas Maldivas
A nossa piscina privada

Felizmente tudo se resolveu e acabámos por ficar num hotel que gostámos imenso e com tudo o que podíamos pedir. Tínhamos noção dos riscos de viajar em tempo de Covid, mas, honestamente, não estávamos preparados para os três dias de completo desespero que passámos na ilha de Maafushi.

Por isso, se estão a pensar viajar não deixem de o fazer, mas façam-no da maneira mais consciente e precavida possível. Esperamos que o nosso exemplo sirva para ajudar!


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